Aastra traça plano agressivo para liderar mercado brasileiro PDF Imprimir E-mail
Por Jackeline Carvalho   
06 de agosto de 2008

Em entrevista exclusiva ao IPNews, Luis Henrique Fagundes, gerente geral da operação Brasil, afirma que a expansão da empresa ocorrerá junto a grandes clientes, incluindo call centers, no SMB (pequena e média empresa) e a partir de uma oferta consistente de comunicação unificada (UC).

A Aastra Telecom começa a mostrar os seus objetivos no mercado brasileiro. A empresa que adquiriu a divisão Enterprise Communication Business da Ericsson – especializada em soluções de voz corporativa e voz sobre IP (VoIP) --, em fevereiro passado, tem meta de vender em torno de 150 mil linhas por ano, e vai centrar esforços na migração da base de clientes de telefonia TDM (time-division multiplexing) para IP, além de ofertar soluções de comunicação unificada (UC) para integrar a servidores híbridos ou 100% IP.

O primeiro passo da empresa foi ampliar as instalações da fábrica em São José dos Campos, onde produz três modelos de centrais telefônicas, a MD 110 (PABX TDM), o MXOne (nas versões híbrida, com ramais IP e TDM, e Full IP) e uma solução para clientes de pequeno e médio porte, batizada de Business Phone. Até o final deste mês, deve ser concluída a reforma de um outro espaço na Avenida Paulista, em São Paulo, onde ficarão as equipes de vendas, marketing, engenharia, produto e suporte técnico.

A Aastra estima que a base instalada de PABX Ericsson no Brasil hoje passa de 2 milhões de linhas. E, para ampliá-la, o investimento de 10 milhões de reais, anunciado no último dia 30 de julho, também contempla a criação de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para adequar a fábrica aos requisitos do processo produtivo básico (PPB) e permitir que a empresa receba os incentivos previstos na lei de TI.

Incentivo

“Estamos pleiteando os benefícios do PPB, e vamos investir em pesquisa e desenvolvimento não só porque a lei exige, mas porque queremos novos produtos para o mercado”, diz Fagundes, durante entrevista exclusiva ao IPNews. A Aastra, segundo ele, possui um portifólio bem amplo na área de VoIP e voz corporativa, que foi ampliado com a compra da unidade enterprise da Ericsson.

Fagundes acrescenta que também está em estudo o lançamento de novos produtos no mercado brasileiro, entre eles soluções que podem ser integradas às centrais telefônicas, para adequá-las ao conceito de comunicação unificada (UC), e de mobilidade.

Outra hipótese em estudo é o lançamento de produto para o mercado de pequeno porte (SMB), com até 50 ramais. “A Aastra tem uma linha de produto muito extensa, porque fez varia aquisições nos últimos 4 anos, e atende empresas que consomem de 5 a 100 mil portas”, detalha Fagundes.

Obviamente, nem todas as soluções serão ofertadas no País, mas o executivo diz que a equipe local tem autonomia para estudar o potencial junto aos clientes e a partir do resultado trazer ou não uma determinada solução para o mercado local. Hoje, Fagundes vê alta demanda no segmento SMB e considera urgente a oferta de uma solução para esta área, algo que deve acontecer até o final deste ano, quando também deve ser iniciada a venda da solução EMS (Enterprise Multimedia Service), que é totalmente IP e atende aos requisitos de unified communications (UC).

A fabricante também produz telefones sem fio Wi-Fi, cuja viabilidade de venda no Brasil também está em estudo, e terminais IP (aparelhos telefônicos), linha que possui oito modelos, alguns inclusive já homologados no Brasil.

Nesta área de terminais IP, inclusive, a Aastra avalia a produção em São José dos Campos, provavelmente a partir de 2009. “A telefonia IP está entrando de cima para baixo no Brasil, atendendo primeiro grandes empresas e órgãos governamentais, mas já começa a descer para empresas menores”, avalia Fagundes.

Além disso, ele identifica grande potencial no movimento de instalação das soluções de comunicação unificada, segmento em que a Aastra está bastante envolvida e que possui parceria com a Microsoft; e diz que já começa a receber consultas de clientes da área de call center interessados em migrar para o ambiente IP em função da nova legislação de atendimento ao consumidor.

“Esta nova lei também gera oportunidade para os fabricantes, porque com certeza os call centers terão que instalar novos postos de atendimento. Já estamos recebendo solicitações de clientes”, revela, ao dizer que nas novas vendas prevalecem os PABX híbridos, seguidos pelos equipamentos TDM e, por fim, pelas plataformas 100% IP. O preço, segundo ele, apesar das constantes quedas nos últimos dois ou três anos, ainda é uma barreira significativa para a migração em larga escala.


 


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