Fabricantes se mobilizam para profissionalizar canais PDF Imprimir E-mail
Por Ceila Santos   
10 de julho de 2008

Fabio Melchert, da JuniperSomente no ano de 2007 faltaram mais de 29 mil profissionais especializados, de acordo com estudo Networking Skills Gap realizado pela IDC. A previsão é de que, em 2010, o déficit seja de 44,4 mil profissionais. Subsídios para treinamento chegam a 80%, no caso da Juniper, segundo Fabio Melchert (foto), diretor de canais da empresa.

Não há dúvida de que a formação profissional na área de redes é uma carência grave no Brasil. Somente no ano de 2007 faltaram mais de 29 mil profissionais especializados, de acordo com estudo Networking Skills Gap realizado pela IDC. A previsão é de que, em 2010, o déficit seja de 44,4 mil profissionais.

Não é à toa que fabricantes de rede estão investindo nos planos de certificação tanto na área técnica como comercial. A 3Com, por exemplo, investe cerca de US$ 220 mil por ano na área. Ricardo Wohnrath, diretor da área de Global Services, ressalta que o crescimento dos negócios está intimamente ligado à habilidade dos usuários em extrair o máximo desempenho dos produtos e serviços oferecidos pelos fabricantes.
 

Essa mudança, entretanto, retrata uma longa caminhada que ainda está no começo e envolve diferentes parceiros que vão desde empresas especializadas em treinamento e testes até universidades, integradores e distribuidores. A maioria dos fabricantes já selou parcerias com empresas especializadas para ministrarem os cursos técnicos e também para realizar os testes que emitem os certificados, os quais geralmente seguem três níveis: básico, intermediário e avançado.

Outro avanço do setor é a oferta gratuita dos cursos de rede destinados a profissionais da área comercial. Juniper e 3Com adotaram tal estratégia por meio do e-learning, cujas aulas são oferecidas em módulos e ainda há fóruns entre os participantes para troca de conhecimento entre eles.

Mas as parcerias com universidades e instituições de ensino de pós-graduação ainda é um desafio do setor. Juniper, 3Com e D-Link têm a intenção de selar parceria com a área acadêmica ainda este ano, mas a estratégia de cada um deles ainda é uma incógnita. Tudo indica que criar laboratórios para testes seja o caminho comum da indústria para ampliar o conhecimento do setor e também divulgar as respectivas linhas de produtos disponíveis no mercado. A 3Com, por exemplo, prevê começar um piloto nessa área em setembro.

Wagner Moita, diretor de canais da D-LinkFormação

Já os incentivos para a especialização técnica, que envolve treinamentos de acordo com as linhas de produtos, estão cada vez mais atrelados ao comprometimento dos canais. Quanto mais as empresas investem em capacitação e relacionamento com as marcas dos produtos, maior o benefício dos fabricantes.

"Oferecemos subsídios de até 80% aos nossos parceiros", revela Fabio Melchert, diretor de canais da Juniper. É bom lembrar que o custo de treinamento da Juniper varia de US$ 1,8 mil até US$ 2,7 mil. Melchert não tem números oficiais do número de formandos, mas informa que do total de 60 canais, 30 deles estão entre os parceiros que foram subsidiados na hora da capacitação dos seus funcionários.

A 3Com, cujo custo do treinamento técnico varia de US$ 600 a US$ 2,5 mil, também atrelou o plano de certificação ao relacionamento com os canais seguindo a metodologia de pontos de acordo com a fidelização dos parceiros. "A regra é simples: quanto mais certificação, maior a pontuação do canal, que pode tornar-se bronze, silver ou gold", explica Vladimir Brandão, diretor de canais da 3Com.

A meta é formar mil profissionais até o fim deste ano. Por enquanto, 700 profissionais foram certificados, sendo que 40% deles estão no nível avançado. Outra estratégia de expansão do fabricante são os encontros regionais realizados em parceria com distribuidores que buscam formar um volume expressivo de profissionais num único treinamento para revendas.

Reciclagem
 

A D-Link prevê grandes mudanças pedagógicas na área de certificação e deve lançar a partir de setembro quatro níveis de certificados que serão válidos para 12 países em que está presente na América Latina. "Vamos rever nossa estratégia de certificação com objetivo de adequar melhor nossos cursos à demanda do mercado. A certificação comercial, por exemplo, deve ganhar dois cursos, um destinado a quem vende apenas caixinha e outro a quem vende soluções", explica Wagner Moita (foto), diretor de canais da D-Link.

Somente este ano a empresa realizou 41 eventos voltado à área comercial, os quais resultaram em mais de 1,7 mil profissionais formados. Já na área técnica foram realizados 16 eventos com 188 profissionais formados. O custo do treinamento é de R$ 1080,00, porém há vagas gratuitas para os canais.


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