“Operadoras de celular precisam incentivar a troca de mensagens”, diz Rafael Steinhauser PDF Imprimir E-mail
Por Alexandro Cruz   
02 de julho de 2009

Presidente da Acision, empresa cujo foco atual são investimentos no Brasil, também alega que o País, além do problema de incentivo ao uso de mensagens de textos, enfrenta a barreira dos preços altos dos serviços de mensagens.

De acordo com a última pesquisa realizada pela IDC, no Brasil existem dois celulares para cada brasileiro. Com esses números, o quadrante de comunicação móvel é considerado uma boa alternativa de lucros para as operadoras. Porém, o País reserva pelo menos um empecilho: a cultura de usabilidade dos aparelhos.
 
 
Durante a sua apresentação como presidente da Acision para a América Latina, Rafael Steinhauser apontou que o Brasil ainda utiliza pouco os aplicativos disponíveis nos celulares.
 
E é esta a lacuna que a Acision pretende preencher com os seus serviços de mensagens de texto e vídeo. Segundo o Steinhauser, neste ano a corporação investirá na promoção do uso desse meio de comunicação entre os clientes de telefonia móvel no País. Uma das ações já desenhadas é instalação de um centro mundial para desenvolvimento de aplicativos aqui no Brasil, que se se somará aos outros dois que a empresa mantém na Ásia e República Tcheca.
 
 
Segundo o executivo, a cada ano, a quantidade do uso de SMS aumenta gradativamente. Mas, no Brasil, o modelo de serviço é pouco aceitável como fonte de informação. “Na Europa, por exemplo, mensalmente 83 mensagens são enviadas por pessoa, na América Latina são 45, e infelizmente no Brasil são enviadas apenas oito”, aponta.
 
 
Em contrapartida, Júlio Püschel, analista sênior para a América Latina do Yankee Group e responsável pela operação da consultoria no Brasil, diz que o País tem uma grande utilização de SMS e que o problema está vinculado às novas formas de troca de mensagens, como é o caso internet messenger. “Esse modelo de mensagens depende muito dos serviços de dados das operadoras, além da necessidade de uma rede de banda larga, como o 3G”, diz.
 
 
Por enquanto, conforme aponta Júlio Püschel, a receita das operadoras ainda são muito dependentes dos serviços de voz. Porém, segundo ele, o incentivo ao uso do SMS tem um apelo muito forte do preço, hoje em média R$ 0,40 menor do que uma ligação de voz. “São 157 milhões de celulares só no Brasil e, desse número, 80% são pré-pagos. Por isso o uso de SMS é bom por aqui”.
 
 
Em números, o executivo da Acision diz que o uso de messaging representa, hoje, 16% do crescimento das receitas das operadoras de telefonia móvel, enquanto que voz contribui com 4%. Além disso, ele também alega que mundialmente 20% dos lucros das empresas de telefonia móvel vêm desse modelo de serviço. "Em 2012, voz não será mais a principal fonte de lucros para as empresas”, prospecta.
 
 
Ex-executivo da Cisco e da Nortel, Steinhauser acredita no potencial do Brasil em investimento para o segmento de messaging, mas vê como principal obstáculo o preço cobrado pelas operadoras. “A bilhetagem e tarifação são caros por aqui e as operadoras ainda não sabem como cobrar de seus clientes”, diz.
 
 
O executivo também alerta para a necessidade de uma mudança cultural entre as empresas de telefonia, cujo insucesso do messaging é a falta de incentivo ao uso dessa solução. “O Brasil precisa otimizar os negócios em messaging, pelo simples motivo que as operadoras têm que se atentar ao processo crescente de receita que esse serviço proporciona”, diz.
 
Ele também alerta para a demora de transmissão desse serviço entre os usuários, o que desmotiva a utilização do messenger móvel. “Em breve, acredito que as soluções serão bastante utilizadas no Brasil. Isso facilitará a vida das pessoas, como é o caso do uso de mobile payment. Só falta as operadoras acreditarem”, conclui Steinhauser.

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