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Um acontecimento, como foi a morte do cantor Michael Jackson, ocasionou milhões de acessos ao mesmo tempo e resultou em problemas de queda de sites por incapacidade de espaço e a criação de inúmeros vírus. Em resumo: modificou o conceito de estabilidade virtual que antes existia entre os profissionais do setor.
A morte do cantor Michael Jackson comoveu milhões de pessoas no mundo todo e desde que a notícia foi publicada na tarde de quinta-feira (25 de junho), a cada minuto centenas de notícias foram publicadas simultaneamente sobre o fato. Ou seja, de lá para cá, a internet se tornou a principal fonte de informação para os fãs, que deram início a uma explosão de acesso a sites de relacionamento, notícias, lojas virtuais, realização de downloads de músicas, vídeos, imagens, venda de objetos em leilão on-line e tudo o que pudesse ser usado como forma de homenagem ao músico pop.
De acordo com a ferramenta do Google, o Insigh For Search, que mede a quantidade que uma determinada palavra é procurada no buscador, o gráfico mostra que na quinta-feira a palavra Michael Jackson chegou a 100% de procura, cuja curva, que antes media 46%, teve um crescimento acima do normal no dia. Já o portal Uol apontou que houve um aumento de 2.182% de page views (PV) no canal de música, em comparação a média diária do mês.
Se comparado ao atentado de 11 de setembro de 2001, que teve uma enorme quantidade de acessos, desta vez, a morte do cantor propiciou, além da busca por informação, um ciclo em grande escala do uso de várias mídias sobre IP e interação dos usuários. A população virtual se comunicou, interagiu e realizou diversas transferências de dados em banda larga fixa ou móvel, sendo ao mesmo tempo e em alta velocidade.
Porém, assim como a internet é usada para o bem, também há milhares de problemas que são gerados junto com essa demanda incomum de acessos e trocas de arquivos. Além disso, inúmeros hackers estão felizes com o assunto, já que usaram a morte do cantor como máscara para liberar centenas de vírus nos computadores de fãs desinformados.
Um exemplo de problema gerado com essa enorme demanda virtual foi a falta de capacidade para suprir o número de internautas em um só momento. Sites como o Google, Twitter, YouTube e Orkut não resistiram e acabaram saindo do ar, por causa do excesso de pessoas que acessaram ao mesmo tempo os mesmos links e procuraram o mesmo assunto. Isso mostra que as empresas não estão preparadas para o crescimento instantâneo de acessos.
Por outro lado, o diretor geral da Tecla serviços de Internet, Cristian Gallegos, alega que não dá para prever quando um caso como esse irá acontecer e, por isso, as empresas se preparam para outros níveis de acessos diários, como é o caso de campanhas publicitárias.
Gallegos também afirma que os portais fazem constantes investimentos de infraestrutura e que a compra de mais componentes seria um gasto desnecessário, já que acontecimentos assim são raros. “É inviável investir para casos desse tipo, porque os produtos ficariam ociosos, com um grande tempo em desuso, o que proporcionaria um custo alto de manutenção”, completa.
Como proposta para suprir a demanda repentina, o executivo aponta a utilização de Cloud Servers para aumentar a capacidade e garantir o acesso de milhões de pessoas ao mesmo tempo. “O cenário tem que mudar e com a nuvem a infraestrutura se torna elástica para se adaptar a qualquer situação”, diz.
Rede infectada
Outro problema virtual que está causando dor de cabeça é o aumento da circulação de vírus, relacionado à morte do Michael Jackson. Segundo o Websense Security, alguns e-mails de spam estão sendo passados com links de vídeos e fotos do cantor, mas, que, na verdade, direcionam o navegante para um trojan de download, conhecido como programa de arquivos contaminados. O “Michael.Jackson.videos.scr” é um dos arquivos contaminados.
A analista de Segurança do CERT.br., Cristine Hoepers, alega que o objetivo da maior parte dos programas maliciosos é manter-se em funcionamento, sem que o usuário perceba que está infectado e que em geral é difícil ter um indicativo claro da infecção. “Caso o antivírus não detecte nada, ele deve ficar atento a sinais de que algum programa o infectou. Esses sinais são: lentidão da máquina, lentidão da conexão com a internet e aplicativos que param de funcionar sem motivo aparente”, alerta.
Hoepers também indica como forma de prevenção para se proteger de fraudes on-line, é necessário que os usuários encarem a internet com o mesmo cuidado com que encaram qualquer atividade fora dela. “É necessário que, além de ações preventivas do ponto de vista de tecnologia, o usuário também mude seu comportamento”, diz.
Um fato de importância como esse prova que tanto os sites como as pessoas precisam estar preparadas para receber as informações com rapidez cada vez maiores. Assim, como avalia Cristian Gallegos, trata-se de um processo de aprendizado e “a morte do Michael Jackson provou, de fato, o significado da democratização da internet. É um processo de amadurecimento e ainda tem muita gente para entrar no mundo virtual”, conclui.
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