Telepresença na América Latina PDF Imprimir E-mail
Por Victor Hugo Casiano, da Frost & Sullivan   
09 de fevereiro de 2009

A telepresença é uma solução de conferência que tem gerado muita expectativa em todo o mundo nos últimos anos. A eficácia da tecnologia, quando comparada às tradicionais vídeoconferências, assim como o retorno sobre o investimento são seus tópicos mais discutidos.

Com equipamentos de captação e exibição de imagens de alta qualidade e em tempo real, esta tecnologia permite a integração de dois ambientes, possibilitando a duas ou mais pessoas a impressão de que estão na mesma sala, conversando frente a frente.

A tecnologia é a mais valorizada ferramenta de colaboração nas empresas por permitir uma maior integração entre colegas de diferentes países, reduzir o número de viagens e tornar mais ágil a solução de problemas, aumentando a produtividade. A maioria das verticais no mercado podem se beneficiar com a telepresença. Por exemplo, na educação, a tecnologia permite conferências com palestrantes do mundo todo, ou ainda reuniões de cientistas de uma mesma área de atuação de diferentes universidades, independente da distância entre elas. Treinamentos e interações entre diferentes equipes, que muitas vezes nem se conhecem mas que executam o mesmo trabalho em diferentes países, também são benefícios reais quando se tem um ambiente com recursos para telepresença.

Na América Latina, a adoção desta tecnologia ainda é pequena e o mercado ainda nascente. As poucas empresas que já possuem algum equipamento de telepresença são companhias multinacionais com operações fora do país, e a aquisição da tecnologia provavelmente foi feita a partir de indústrias globais que já penetraram nos mercados da América do Norte e Europa, e agora tentam explorar o potencial da América Latina. O segmento corporativo é ainda a única vertical interessada em soluções de telepresença, e a expectativa é de que esta tecnologia se torne presente em outros segmentos, como os governamentais, de saúde e educação nos próximos anos, ainda que a estimativa seja a de que os últimos vão contribuir muito pouco com a receita até 2012.

Empresas como Cisco, HP, Nortel e Polycom já firmaram parcerias com companhias de telecomunicação como Telefônica, AT&T e BT, para conseguirem recursos e financiar o desenvolvimento do mercado de telepresença na região. Contudo, mesmo que o empenho do mercado em oferecer tecnologias e a necessidade em reduzir custos e aumentar integração das equipes favoreça o crescimento do mercado de tecnologias colaborativas no mundo todo, na América Latina ainda há barreiras que podem fazer com que essa expansão seja mais lenta. O alto custo dos equipamentos é a maior delas. Além disso, a falta de informações sobre a funcionabilidade da solução por grande parte das pessoas e o fato de não se perceber um retorno nos investimentos são outros fatores que dificultam a procura por estas tecnologias na região.

Uma das principais medidas que deve ser tomada pelas empresas que querem se fortalecer no mercado de telepresença é melhorar o argumento para clientes potenciais com métricas quantitativas de aumento de produtividade que a tecnologia pode trazer à empresa e o tempo estimado para retorno de investimentos. Como a telepresença é uma nova tecnologia, é importante mostrar aos CIOs e CFOs das empresas os benefícios que ela pode trazer à cultura e à dinâmica da organização.

* Victor Hugo Casiano é analista de indústria da Frost & Sullivan.


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