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Falta demanda para IPv6 no Brasil PDF Imprimir E-mail
Sex, 18 de Dezembro de 2009 10:02

A ação mundial entre os provedores de acesso que começaram a migrar suas redes para a versão seis, mostra que no Brasil, principalmente os grandes players, não estão acompanhando esse processo. O motivo: consumidores desinteressados e a falta de serviços que atendam essa tecnologia.

Com a aproximação do esgotamento de endereços da internet protocolo na versão quatro, os provedores de acesso estão numa fase de atualização. Porém, o que parece, no Brasil a convergência anda a passos curtos.
 
Mesmo assim, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet), Eduardo Parajo, a migração não depende unicamente dos servidores e sim do mercado – cliente final. Ele também argumenta que “o processo é longo e não é só o fato de investimentos em rede e backbones. Existe a questão da demanda por esses serviços, que ainda não são tão exigentes”, diz.
 
Um exemplo citado pelo representante da Abranet, em relação a baixa demanda no Brasil, é o caso das pessoas que ainda utilizam sistemas operacionais não compatíveis com a versão seis da internet. “Muitas empresas ainda trabalham com OS antigos e muitos não tem noção do que esteja acontecendo. Para eles, o que importa é que a tecnologia funcione e bem”, avalia Parajo.
 
Hoje, segundo dados da Abranet, a convergência para IPv6 acontece em grande escala com os provedores menores, fato que entre os grandes players, apenas duas realizaram a migração. “A preocupação é baixa porque não existem serviços que se adéqüem à tecnologia e também não está no hold map (planejamento) das empresas”, enfatiza Parajo. Ele também aponta que o mercado de IPv6 é de apenas 0,3%, sendo que a grande maioria dos contratos são de holstings.
 
Já o gerente de marketing da Global Crossing, Yuri Menck, diz que no Brasil a demanda pela aquisição de portas IPv6 está aumentando gradativamente. Segundo ele, o mercado geral, que abrange empresas de serviços como data centers e a compra de links corporativos, houve um aumento de 30% em 2009, comparado ao ano passado.
 
Menck também diz que a demora no processo de migração não depende dos custos. “Há problemas maiores com o tempo de adaptação e implementação da tecnologia. Além disso, se uma empresa tem uma infraestrutura antiga, a mudança tem que ser total e isso torna uma depende elevada”, diz.
 
Entre os motivos da despreocupação dos provedores é porque a versão quatro não será eliminada da rede virtual. Quando houver a utilização em massa do IPv6, ele poderá trabalhar em dual stack, onde as duas tecnologias serão utilizadas mutuamente. Além disso, entre os especialistas, não há previsão para o término do uso dessa compatibilidade tecnológica.
 
O representante da Global Crossing afirma que, apesar da taxa de contratação dos serviços de internet ser elevada no Brasil, o valor cobrado pela aquisição de um link IPv6 é igual ao da versão quatro. "Isso não é motivo para a não contratação".
 

“No próximo ano, temos que nos preocupar mais com essa questão de funcionalidade do IPv6, para conseguir fazer a transição e convergência adequada. Em relação a outros países, estamos atrasados e precisamos correr contra o tempo”, alerta Eduardo Parajo.

Escrito por Alexandro Cruz   
 

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