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Relatório publicado pela Huawei junto com a Teleco indica crescimento de seis vezes a base atual, mas constata que pouca concorrência impede a queda de tarifas.
Em relação o acesso aos dispositivos de comunicação por 100 habitantes, o Brasil se encontra acima da média mundial, onde, em a referência entre o País e o mundo aponta: celulares (91,4 e 67,0); telefonia fixa (22,0 e 17,6); e internet (35,4 e 25,9). Porém, os serviços de banda larga demonstram uma grande carência, equivalente a 6,1 e 7,1 (fixa) e 3,1 e 9,5 (móvel). A constatação está no relatório de banda larga móvel, referente ao terceiro trimestre de 2009, produzido pela Huawei e Teleco.
A pesquisa foi apresentada nesta segunda-feira (30), e mostra como está o desenvolvimento de acesso aos serviços de internet móvel no Brasil e como estão os investimentos em infraestrutura para o setor. De acordo com o presidente da Teleco, Eduardo Tude, apesar dos resultados abaixo da média mundial, no 3Tri09 a Anatel apresenta em sues dados que o País chegou a 6,1 milhões de acessos a internet móvel.
No entanto, a pesquisa da Teleco mostra que houve uma redução em relação ao 2º trimestre de 2009, que apresentou em adições totais liquidas de acesso (venda de aparelhos e modems) a 978 mil, diante de 850 no último período. “Isso aconteceu porque as operadoras deixaram de contabilizar a comercialização dos produtos por um período. Mas, se fizermos a contagem em outubro, quando as companhias retornaram a contar esse mercado, os resultados são maiores”, explica.
O executivo da Teleco acredita que a banda larga móvel crescerá seis vezes mais que a fixa até 2011. Outra previsão é que acontecerá uma inversão expressiva de acessos, em que a móvel chegará a 60 milhões de acessos enquanto a fixa a 30 milhões.
Também houve um aumento no comércio de celulares com tecnologia 3G no Brasil: 2,9% dos celulares eram 3G no 3T09 e 3,7% dos celulares eram com a mesma tecnologia em Out/09. A previsão de que a troca dos celulares GSM por terceira geração aumente em 2010.
Já o compromisso das operadoras em melhorar os serviços de banda larga no mercado nacional, estipulado pelo governo federal, indica que em setembro de 2009 a cobertura de internet rápida móvel é superior que os compromissos estabelecidos para 2012. O serviço está disponível para 63,9% da população e em 12,4% dos municípios brasileiros, equivalente a 60 novas cidades com acesso móvel.
O número de operadoras que oferecem os serviços de banda larga móvel também cresceu e, hoje, 25,6% da população são atendidas por quatro operadoras no Brasil. O relatório também apontou que a cobertura por tamanho de municípios melhorou, principalmente as cidades com até 50 mil habitantes. Entre o 2T09 e o 3T09, cidades com até 50 mil moradores, teve de 5% para 10,4%; de 50 mil a 500 mil, o aumento foi de 73,4% para 85,2%; e acima de 500 mil o serviço quase chegou a totalidade, com 99,1%.
A população com acesso à internet no País tem a região Sudeste com 76,%, Sul com 59,4%, Centro-Oeste com 57,4%, Nordeste com 50,7% e Norte com 47,1%. “O que chama a atenção é o aumento no Nordeste, graças alguns investimentos realizados”, diz Tude.
Quanto ao modelo de serviço oferecidos, nesse período houve uma procura maior pelo acesso pré-pago, além da entrada da Claro nesse modelo de comércio. Entre as quatro grandes, Vivo, Tim, Claro, só a Oi ainda não comercializa ao acesso pré.
Segundo Elisário Dias, da TIM, hoje a operadora possui cinco milhões de clientes. “Nossa expectativa é crescer 12 vezes o números de usuários nos próximos cinco anos”.
Em contrapartida, apesar do crescimento expressivo, no Brasil, ainda não existe uma competição pelos serviços de banda larga móvel entre as operadoras. “Como há muita demanda, elas ainda estão mais preocupadas em reforçar a infraestrutura. Por isso não houve uma mudança nos preços e esse processo também aconteceu em outros países”, diz o presidente da Teleco.
Nesse caso, de acordo com a pesquisa, os preços dos pacotes variam de 30MB por R$ 17,90 até o serviço ilimitado por R$ 119,90. A taxa cobrada no Brasil para pacotes de 500 MB está acima dos valores praticados em outros países. Na América Latina, o País tem as taxas mais caras, onde a média é de R$ 76, enquanto que Chile cobra R$ 54 e México R$ 45.
Já o valor dos aparelhos é outro obstáculo para o aumento da banda larga móvel, principalmente com os pré-pagos, já que os pós possuem subsídios das operadoras. Mesmo que os valores dos aparelhos 3G tenham caído no 3T09, as empresas focam na comercialização do high end e midle end, mesmo apresentando um aumento na venda de celulares mais comuns (low end) com o dispositivo de acesso. O último grupo teve um acréscimo significativo acima de 64%.
Para as operadoras, o motivo pelo valor alto dos serviços de banda móvel está relacionado à carga tributária e pelo sub-dimensionamento das redes, em especial em relação à capacidade das redes de transmissão. Eduardo Tude enfatiza que o projeto de universalização da banda larga será possível quando houver uma parceria maciça entre o setor privado e governo.
Além disso, “as redes precisam passar por uma transformação. As EDGE têm que estar conectadas por fibras ópticas, como é o caso do FTTH (Fiber-to-the-Home), pois é essencial para a transferência de dados em grande quantidade, como 100Megas. Caso contrário, as operadoras terão que instalar muitos backbones, um sobre o outro, para suporte a taxa de transferência e isso é está fora de cogitação”, conclui. |